• Olá, eu sou a Lê. Tenho 17 anos e moro em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. O Doce Brisa é um cantinho onde eu compartilho minhas experiências. Por aqui vocês vão encontrar um pouquinho de mim, do que eu sinto e coisas das quais eu admiro. Sejam bem-vindos!

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Mude o percurso.

Um começo turbulento e um percurso constante. Podia estar ai a parte que eu deveria ter sublinhado e tentado corrigir ao invés de riscar por cima e ignorar. Foi só um erro. Como o de costume, eu sempre acordava lá pelas 6:00, tomava um bom café, colocava minha antiga jaqueta e ia em direção à porta fazendo movimentos bruscos com o chaveiro. A luz fraquinha que recém nascia no céu ofuscava um pouco e me acompanhava por um longo caminho. Ou às coisas passavam de pressa por aquelas ruas de pedra, ou eu estava inquieta. E por alguns dias tudo acontecia dessa mesma forma, até surgir a monotonia .

Algumas cores se desbotaram no fim da tarde enquanto eu estava debruçada pela imensa janela branca. Contei alguns passos até o corredor e percebi a luz forte que ascendia enquanto eu caminhava, enxerguei um pequeno risquinho na parede recém pintada. Ao chegar no térreo percorri pelas curvas da calçada até os bancos de pedra no caminho. O meu relógio de bolso acabará de despertar, não era apenas eu que estava atordoada. Decidi atravessar a ponte até escutar um toque suave no celular, quem será? Eu sabia quem era, mas por alguns segundos pensei que o melhor fosse fingir que não havia acontecido nada e guardá-lo de volta no bolso. Pois foi o que eu fiz. Levei alguns quarenta minutos até tomar coragem e voltar atrás por todo o percurso. Foi aí que parei para pensar. Será que podemos retornar aos nossos passos, as nossas escolhas? Havia uma vontade que  me incendiava por dentro, vontade de querer resolver tudo a minha volta mas que de alguma forma me mantinha sem forças, indecisa. Eu percebi que não dependia apenas de mim.

Retirei meu celular do bolso novamente e disquei para o último número. Foram os segundos mais torturantes. Não havia ninguém do outro lado da linha? Nenhuma voz me atenderia? Eu estava certa. Antes eu tinha ignorado ele, agora ele me ignora. Não seria diferente, um erro leva a outro. Eu queria ir para um bar, mesmo sem beber. Na verdade, eu só queria caminhar por aí. Me esforcei para dar certo, mas eu já sabia que éramos diferentes um do outro. “Éramos”? Eu me refiro ao dono do último número discado. Levei algum tempo para engolir todas incertezas e chegar a uma conclusão. Eu só estaria bem por inteiro ao lado dele, mas estaria bem também se ficasse um pouco só debaixo das cobertas geladas.

Até mesmo no trânsito algo me abalava. Talvez fossem tantas buzinas, tantos carros lado a lado ou aquelas luzinhas piscando de um lado para outro comandando nosso rumo. Ou talvez fosse apenas a ausência dele por aquelas ruas. Afinal, nosso caminho já não era o mesmo. Enquanto eu seguia a Avenida A. ele dobrava na rua B. Eu podia mudar a direção, mas tinha medo da mesma forma que ele. E por esse medo hoje estamos assim: Eu aqui e ele lá. Onde ele pode estar agora? Estou indo para um bar, pedirei um café com adoçante e uma torrada e assim verei se o encontro quando voltar.

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